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05/09/2016

Técnica minimamente invasiva em prol da qualidade de vida

Por Vita

Sonia Time*

A doença hemorroidária é um problema que afeta diretamente a qualidade de vida da população. É causada pela dilatação das veias que ficam na região do ânus, podendo ser internas ou externas, e apresentar os seguintes sintomas: prurido (coceira), dor e sangramento. De ocorrência comum, é causada por razões hereditárias, e condições que interfiram com a circulação pélvica, como gravidez, cirrose, alterações intestinais, entre outras. A doença hemorroidária atinge milhares de pessoas e a estimativa é de que metade da população possa sofrer com o problema em algum momento da vida, independente de idade e sexo.

Muitas pessoas que sofrem de hemorroidas não procuram ajuda médica, seja por constrangimento ou receio de serem operadas, já que o pós-operatório da cirurgia tradicional é conhecido por ser bastante doloroso. Atualmente conta-se com uma técnica cirúrgica criada por médicos italianos, que é a Desarterialização Hemorroidária Transanal guiada por Doppler (THD). O método resolve o problema de forma mais precoce e menos dolorosa.

A técnica oferece muitas vantagens ao paciente. Além de ser realizada sem cortes, a THD proporciona rápida recuperação e baixo risco de complicações pós-operatórias, tanto que a pessoa pode retornar às atividades diárias em poucos dias, enquanto que o período de recuperação da cirurgia convencional é bem maior, podendo levar mais de 30 dias. A grande diferença entre a THD e as técnicas convencionais é que estas últimas são mais invasivas e agressivas, uma vez que incluem cortes com bisturi ou utilização de grampeadores para excisão das hemorroidas, o que invariavelmente provoca muita dor no pós-operatório, sangramento, secreção, além de maior risco de trombose e hemorragia nas áreas incisadas.

A THD também é realizada em ambiente hospitalar e sob anestesia, embora na maioria dos casos, o paciente receba alta no mesmo dia. Apesar de ser uma técnica recente, os primeiros estudos apontam que ela oferece os mesmos índices de sucesso que as cirurgias tradicionais, com menos complicações pós-operatórias, menos dor e recuperação muito mais precoce.

A cirurgia é realizada por um anuscópio acoplado a um Doppler (equipamento de ultrassom que mede o fluxo sanguíneo), identificando a pulsação da artéria que nutre as veias inchadas. No procedimento, o cirurgião costura a artéria em um ponto específico, com uma agulha que passa pelo interior do equipamento, reduzindo o fluxo de sangue para as veias inchadas, curando a doença.

*Dra. Sonia Time, coloproctologista do Hospital VITA, e pioneira na implantação da técnica no Paraná.