Transtornos alimentares

Hospital VITA
Postado por Hospital VITA - 28 de abril de 2016

Os transtornos alimentares são doenças psiquiátricas onde há alterações graves do comportamento alimentar, com sérias consequências à saúde.

Bulimia
A bulimia é bem mais comum que a anorexia. Acomete principalmente mulheres jovens. O que acontece geralmente são episódios de compulsão alimentar, ou seja, a ingestão de alimentos em grandes quantidades num período limitado de tempo, muitas vezes mesmo sem fome e sem apreciar o sabor dos alimentos. Em seguida, com medo de engordar, as pacientes tentam evitar o acúmulo das calorias ingeridas em excesso com métodos compensatórios, como vômitos, uso abusivo de diuréticos e laxantes, ou atividades físicas exageradas, o que costuma ser feito em segredo devido ao sentimento de vergonha que acompanha esse comportamento. O peso costuma se manter dentro do normal. Cerca de 90% das pacientes induzem vômitos, que aliviam o desconforto físico causado pelas grandes refeições, e, muitas vezes, trazem alívio da culpa de ter comido tanto mesmo sem fome, e do medo de engordar.

Anorexia
Na anorexia existe um medo exagerado de ganhar peso, mesmo quando já se encontra abaixo do normal, ou seja, do peso mínimo esperado para determinada estatura e faixa etária. A característica principal é a restrição excessiva da ingesta calórica.  Existe uma distorção da autoimagem e perda da noção dos riscos do baixo peso exagerado. A negação da doença é muito frequente.

Essas meninas vivem num limite estreito entre a saúde e a doença. Comem apenas o mínimo necessário para sobreviver. O consumo excessivo de líquidos ou mastigar gelo ou goma de mascar em excesso podem ser pistas para o diagnóstico, assim como o hábito de comer sozinha. É importante verificar a frequência dos ciclos menstruais sempre que houver a suspeita, já que o distúrbio pode causar alterações menstruais e amenorreia (parada das menstruações por 3 meses).

Os métodos utilizados por uma pessoa anoréxica podem ser divididos em 2 grupos:

– Restritivos: alcançam a perda de peso através de dietas, jejum prolongado.

– Purgativos: pode haver episódios de compulsão alimentar seguida de vômitos, abuso de diuréticos e laxantes. Em geral as consequências são mais sérias nesse grupo.

A relação entre os distúrbios

Pode existir uma alternância entre os dois distúrbios, que têm como base o medo de engordar. A diferença principal entre eles é que na bulimia o peso se mantém dentro de uma faixa normal.

Cuidados com os filhos

Devemos ficar atentos quando uma criança magra refere se sentir gorda. Adolescentes com preocupação excessiva com o peso têm uma chance 7 vezes maior de desenvolver transtornos alimentares, e merecem atenção.

A bulimia não é comum em crianças. Atinge principalmente mulheres universitárias, porém tem sido observada cada vez mais cedo. A detecção precoce é fundamental para melhorar as chances de resolução do problema. Os pais devem ficar atentos para perceber os primeiros sinais indicativos de um transtorno alimentar, pois quanto mais precocemente o problema é detectado, maiores as chances de cura.

A anorexia é mais comum nos primeiros quatro a cinco anos após a primeira menstruação. O comportamento alimentar dos pré-adolescentes e adolescentes deve ser observado. Também é importante procurar entender como os filhos percebem a aparência do próprio corpo. O acompanhamento médico é de fundamental importância para detectar alterações na curva de peso, chamando atenção para a possibilidade do distúrbio. O diagnóstico nem sempre é fácil, já que os pacientes costumam esconder os sintomas até que o a doença se torne evidente.

Tratamento

O acompanhamento psicológico é muito importante, pois na maioria das vezes os transtornos alimentares estão ligados a problemas emocionais. Para o sucesso do tratamento, é necessário o envolvimento de toda a família. Bons resultados dependem do acompanhamento por uma equipe multidisciplinar, formada por: nutricionistas, psicólogos, enfermeiros e médicos (endocrinologista, psiquiatra). Também pode haver necessidade de internação nos casos mais graves.

Dra. Daniele Zaninelli, endocrinologista do Hospital VITA em Curitiba.

 

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